Blog do Victor Hugo
Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de São Carlos. . Uma pessoa que se interessa por música, literatura, esportes e política e, que apesar de não ser um bom escritor, tenta escrever algo de interessante nesse blog.
quarta-feira, 3 de agosto de 2022
Solidariedade
segunda-feira, 6 de dezembro de 2021
Os programas de transferência de renda na América Latina e o retrocesso do Auxílio Brasil
* Artigo originalmente publicado na revista de Ciência Política "Research and Studies Center", pelo site https://bras-center.com/cash-transfer-programs-in-latin-america-and-the-setback-of-auxilio-brasil/
A redistribuição de renda é fundamental para a diminuição da desigualdade econômica e, consequentemente, para a diminuição da insegurança alimentar. Além disso, eles garantem a manutenção de crianças e adolescentes na escola, a eficácia no combate de doenças infantis e para segurança da saúde de mulheres grávidas. Nos últimos vinte anos na América Latina desenvolveu-se programas de transferência de renda, com destaque para aqueles criados no Brasil, Colômbia e Uruguai, atendendo um total de 68 milhões de pessoas nos três países. Porém a recente mudança no Brasil para o novo programa Auxílio Brasil representa um retrocesso no então consolidado avanço pelo Programa Bolsa Família.
Nos últimos vinte anos na América Latina, desenvolveu-se programas de transferência de renda, com destaque para os criados no Brasil, Colômbia e Uruguai, atendendo um total de 68 milhões de pessoas nesses três países. Os programas de distribuição de renda foram fundamentais, principalmente para a diminuição da desigualdade econômica nesses três países, mas não somente para isso. Os programas Bolsa Família (Brasil), Más Familias en Acción (Colômbia) e o Tarjeta Uruguaya Social (Uruguai), foram importantes para esses três países, que possuíam o maior número de pessoas vivendo em situação de pobreza na América do Sul, com 34,1% no Brasil, 39,9% no Uruguai e 40% na Colômbia.
Sendo assim, ao longo de 10 anos após a implementação, esses programas foram responsáveis por tirar esses países de uma situação de insegurança alimentar, diminuir a mortalidade infantil em cerca de 16%, aumento da estatura das crianças em 10 anos desde quando os programas começaram a serem implementado e, no caso do Brasil, que se tornou uma vitrine para o mundo no quesito de transferência de renda, criou-se o Cadastro Único, onde era possível possuir diversas informações importantes para as famílias em situação de vulnerabilidade, como saber se o beneficiário já havia sido vítima de violência doméstica, saber se a criança está na escola através da frequência escolar, saber se a família está recebendo assistência médica, e até saber se onde o beneficiário mora fazia parte do programa de cisternas do Governo Federal ou não.
No caso do Uruguai foi implementado também o programa Tarjeta Uruguaya Social, com propostas semelhantes à do Brasil e que mostraram números importantes em relação à diminuição da pobreza, da fome, da evasão escolar e também o número de pessoas que passaram a ter assistência médica. Um passo importante no programa de transferência de renda do Uruguai e que se diferenciou dos outros países foi a inclusão de pessoas transexuais, que podem receber o benefício devido a sua condição de vulnerabilidade
Na Colômbia, no ano de 2001, foi criado o Familia en Acción.O programa está focalizado em famílias que vivem em extrema pobreza (os demais contemplam pobres também), inicialmente população deslocada por conta da violência (desplazados) e indígenas. O programa era então composto de três benefícios em separado: para nutrição, escola primária e secundária (ensino médio). O objetivo, tal como nos demais, é aumentar a frequência escolar em todo o ciclo e melhorar a nutrição e saúde na primeira infância.
Os programas de redistribuição de renda dos três países foram feitos com critérios técnico-científicos claro e apresentados anteriormente onde apresentava onde esses programas iriam agir, quais eram os principais objetivos dos programas e quais eram os resultados esperados. No caso do Brasil (Bolsa Família), Colômbia e Uruguai esses planejamentos foram semelhantes, com políticas estruturais, políticas específicas e políticas locais, pensando na integração entre o governo federal junto com estados e municípios. Além disso, como se mostra na tabela abaixo, foi pensado não só na redistribuição de renda, mas também como poderia sanar alguns problemas educacionais e de saúde utilizando como pré-requisito para ser beneficiário.
No caso do Bolsa Família o principal objetivo era tirar o Brasil do Mapa da Fome, meta que foi atingida em 2013; o Tarjeta Uruguaya Social junto com o Plano de Equidad tinha como principal objetivo diminuir pela metade em 10 anos o número de pessoas que viviam em situação de pobreza. Eles foram muito além, pois em 2006 o número de pessoas vivendo na pobreza do Uruguai era de 39,9%, passando para 9,4% em 2016; O Familias en Acción, na Colômbia, tinha como principal objetivo em 10 anos diminuir a porcentagem de famílias vivendo em situação de pobreza. O número caiu de 40% da população vivendo na pobreza em 2001 para 28% em 2011.
PAÍS | ANO DE FORMULAÇÃO DO PROJETO | NOME DO PROGRAMA | ANO DE IMPLEMENTAÇÃO DO PROGRAMA | PRÉ-REQUISITOS PARA SER BENEFICIÁRIO | MODO DE FAZER O CADASTRO |
Brasil | 2001 | Programa Bolsa Família | 2003 | - Estar situação de pobreza ou extrema pobreza;
- Realização de cadastro no Cadastro Único;
- Frequência escolar de crianças e adolescentes;
- Carteira de vacinação;
- Pré-natal para gestantes; | - Inscrição no Cadastro Único do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; - Visita social para averiguação da situação familiar; - Aprovação do Cadastro Único |
Brasil | 2021 | Auxílio Brasil | 2021 | - Estar em situação de vulnerabilidade | - Cadastrar–se no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) |
Colômbia | 2001 | Familias en Acción | 2001 | - Estar situação de pobreza ou extrema pobreza;
- Realização de cadastro no Cadastro Único;
- Frequência escolar de crianças e adolescentes;
- Carteira de vacinação;
- Pré-natal para gestantes; | - Inscrição no Cadastro Único do Ministerio del Interior y Justicia; - Visita social para averiguação da situação familiar; - Aprovação do Cadastro Único. |
Uruguai | 2005 | Tarjeta Uruguaya Social | 2006 | - Estar situação de pobreza ou extrema pobreza;
- Realização de cadastro no Cadastro Único;
- Frequência escolar de crianças e adolescentes;
- Carteira de vacinação;
- Pré-natal para gestantes;
- Ser transexual em situação de vulnerabilidade | - Inscrição no Cadastro Único do Ministerio de Desarollo Social; - Visita social para averiguação da situação familiar; - Aprovação do Cadastro Único |
PAÍS | NOME DO PROGRAMA | NÚMERO DE BENEFICIÁRIOS | % DA POPULAÇÃO BENEFICIADA | VALOR ANUAL INVESTIDO | % DO PIB | % DE DESEMPREGRADOS QUANDO O PROGRAMA FOI IMPLEMENTADO |
Brasil | Bolsa Família | 56,3 milhões | 28,2% | US$ 10,711 bilhões | 0,47% | 12,3% |
Brasil | Auxílio Brasil | 14,5 milhões | 6,8% | US$575,725 milhões | 0,00002% | 12,6% |
Colômbia | Familias en Acción | 11,5 milhões | 23,8% | US$ 852 milhões | 0,22% | 11,19% |
Uruguai | Tarjeta Uruguay Social | 528 mil | 15,5% | US$ 207 milhões | 0,37% | 7,83% |
O NOVO AUXÍLIO BRASIL
Com o começo da pandemia, introduziu-se um discurso falacioso do presidente da república de que o Brasil estava novamente no Mapa da Fome da ONU devido a paralisação das atividades durante um curto período de tempo no ano de 2020. Porém o Brasil já havia voltado ao Mapa da Fome durante o Governo Temer, em 2017, e se agravou ainda mais quando o governo Bolsonaro congelou em 2018 o valor relacionado à extrema pobreza no Brasil, o que retirou mais de um milhão de famílias do Programa Bolsa Família, além da extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional.
No ano de 2021, o governo Bolsonaro anunciou o encerramento de 18 anos do programa Bolsa Família para colocar em seu lugar um novo programa chamado Auxílio Brasil. São programas totalmente distintos, onde não possuem nenhuma característica semelhante, sendo que o novo programa é mais excludente do que inclusivo, pois parte da lógica econômica neoliberal em que você só necessita dar um auxílio em dinheiro para a pessoa que em pouco tempo sairá da pobreza. Além disso, afasta-se a mulher do Estado, pois para ela conseguir colocar uma criança em uma creche é necessário que ela arrume um emprego e com isso vai ganhar um voucher para colocar seu filho em uma creche particular. Além desses problemas, o Auxílio Brasil representa um retrocesso pelas seguintes características:
Não houve cálculos econômicos apresentados, mas apenas um valor estipulado por família sem nenhuma justificativa;
O valor gasto é 0,00002% do PIB brasileiro, que é o menor valor gasto no mundo no combate à desigualdade social;
Não há um projeto documentado apontando onde o programa vai agir, o objetivo e os resultados esperados. Ou seja, não é algo planejado, mas apenas uma ideia de que era necessário acabar com um programa de governos anteriores para implementar um programa próprio;
Não há estudos explicando porque esse programa é melhor que o Bolsa Família, que tirou o Brasil do Mapa da Fome e trouxe diversos benefícios para a população.
Como o Auxílio Brasil não possui um planejamento, é um grande indicativo que possa vir a fracassar, pois só o repasse de dinheiro não é necessário para que a população brasileira tenha uma boa qualidade de vida e que tenha acesso à alimentação, boa educação, boa saúde e os direitos mínimos previstos pela constituição. Quanto tempo teremos para reconstruir o Brasil quando tudo isso passar?
terça-feira, 13 de abril de 2021
Existe um movimento em direção ao autoritarismo no mundo?*
*Artigo originalmente publicado na revista "Research and Studies Center" pelo site https://bras-center.com/is-there-a-movement-towards-authoritarism-in-the-world/
Este artigo parte de duas premissas: A primeira é mostrar que as democracias se enfraquecem não mais através de instituições autoritárias, mas sim de pessoas que estão dentro do jogo democrático e se favorecem de instituições e leis flexíveis para levar o país a um regime autoritário; a segunda é que, casos como o da Hungria, pode nos fazer aprender para que tenhamos democracias mais fortes. Para medir o nível da democracia, será utilizado o modelo teórico de Juan Linz, em seu livro intitulado “The Breakdown of Democratic Regimes”, publicado em 1978. Neste livro, o autor salienta que o papel dos líderes políticos pode reforçar uma democracia ou enfraquecê-las. Com as premissas de Linz (1978), os autores Levitsky e Ziblatt (2018) fizeram a tabela abaixo. Outro referencial teórico será o livro “How democracies die”, de Steven Levitsky & Daniel Ziblatt (2018).
|
1 – Rejeição das regras democráticas do jogo (ou compromisso débil
com elas) |
Os candidatos rejeitam a Constituição ou expressam
disposição em violá-las? |
|
2 – Negação da legitimidade dos oponentes políticos |
Descrevem seus rivais como subversivos ou opostos à ordem
constitucional existente? Afirmam que seus rivais constituem uma ameaça, seja à
segurança nacional ou ao modo de vida predominante? Sem fundamentação, descrevem seus rivais partidários como
criminosos cuja suposta violação da lei (ou potencial de fazê-lo)
desqualificaria sua participação plena na arena política? Sem fundamentação, sugerem que seus rivais sejam agentes
estrangeiros, pois estariam trabalhando secretamente em aliança com (ou
usando) um governo estrangeiro – com frequência um governo inimigo? |
|
3 – Tolerância ou encorajamento à violência |
Tem quaisquer laços com gangues armadas, forças
paramilitares, milícias, guerrilhas ou outras organizações envolvidas em
violência ilícita? Patrocinam ou estimulam eles próprios os seus partidários
ataques de multidões contra oponentes? Endossaram tacitamente a violência de seus apoiadores,
recusando-se a condená-los e puni-los de maneira categórica? Elogiaram (ou se recusaram a condenar) outros atos
significativos de violência política no passado ou em outros lugares no
mundo? |
|
4 – Propensão a restringir liberdades civis de oponentes, inclusive a
mídia |
Apoiaram leis ou políticas que restrinjam a liberdades
civis, como expansão de leis de calúnia e difamação ou leis que restrinjam
protestos e críticas ao governo ou certas organizações civis ou políticas? Ameaçaram tomar medidas legais ou outras ações punitivas
contra seus críticos em partidos rivais, na sociedade civil ou na mídia? Elogiaram medidas repressivas tomadas por outros governos,
tanto no passado como em outros lugares do mundo? |
Essas
premissas são, na realidade, os fatores de enfraquecimento do sistema
democrático e que pode levar a população ao desinteresse da participação
política. No Brasil vemos que nos últimos anos há uma grande polarização devido
a um discurso populista de corrupção que nos foi colocada por atores políticos
com interesses diversos, como é o caso da Operação Lava Jato, mas não o de
compromisso com a democracia e nem com o desejo da participação popular na vida
política. É importante salientar que a corrupção é um problema gravíssimo em
qualquer lugar e deve ser punida com o rigor da lei, sendo um dos fatores para
o enfraquecimento da democracia também. Governo, mercado financeiro, empresas e
nas relações pessoais. Quando a corrupção se torna algo comum, há um risco
enorme de confiabilidade em qualquer esfera citada acima. Mas, analisando Linz,
será que a corrupção como colocada nos discursos de populistas que afirmam ser
“a voz do povo”, que entram em guerra contra o que descrevem como uma elite
corrupta e conspiradora, tendem a utilizar a democracia para alcançar o
autoritarismo ou estão realmente lutando para o fortalecimento da democracia?
Para Linz, se um político se enquadra mesmo em apenas um desses critérios é
motivo de preocupação com o descumprimento democrático.
Se analisarmos
no Brasil a tabela de Juan Linz e a tabela de Levitsky e Ziblatt em um período
de dois anos, quanto desses preceitos o governo atual de Jair Bolsonaro e os
governos anteriores do Brasil se encaixaram ou se encaixam em um ou mais critérios?
Se há ao menos uma resposta positiva, estamos no caminho contrário de um
fortalecimento democrático. O que podemos fazer em relação a isso para
fortalecer o nosso sistema político? Essa resposta pode ser analisa com mais
calma e discutida em outros momentos, mas podemos dar uma indicação baseado em
alguns países onde isso já aconteceu. Proponho adaptar a análise de Levitsky e
Ziblatt e para mostrar o destino de alguns países onde houve, através do
sistema democrático, a formação de sistemas autoritários.
|
País |
Líder |
Data de início |
Captura de árbitros |
Remoção de
jogadores |
Mudança de regras |
Destino do regime |
|
Argentina |
Juan Perón |
Junho de 1946 |
Sim |
Não |
Não |
Autoritário |
|
Equador |
Rafael Correa |
Janeiro de 2007 |
Sim |
Sim |
Sim |
Moderadamente autoritário |
|
Hungria |
Viktor Orbán |
Maio de 2010 |
Limitado |
Não |
Não |
Moderadamente autoritário |
|
Rússia |
Vladmir Putin |
Maio de 2000 |
Não |
Sim |
Não |
Altamente autoritário |
|
Venezuela |
Hugo Chávez |
Fevereiro de 1999 |
Sim |
Sim |
Sim |
Autoritário |
Para analisar
a tabela acima é necessário compreender essas premissas como grades de proteção
de uma democracia, ou seja, instituições, pessoas e leis que devem ser
colocados como parte de um jogo que beneficie a população e não algo que deve
ser de posse ou de poder de um governo para usar a seu favor. Os árbitros são
Ministros, Juízes, serviços de inteligência, policiais, agências éticas e
tribunais; os jogadores são os críticos da mídia e outras pessoas que façam
oposição ao governo; mudança de regras são as mudanças nas leis com fins
autoritários e menos burocráticos de atingir seus objetivos.
No ano
passado, na contramão da democracia, veio a notícia que o Parlamento da Hungria
aprovou um projeto que dá plenos poderes por tempo indeterminado ao primeiro-ministro
Viktor Orbán. Em primeira votação, que eram necessários três quartos do
parlamento para a aprovação, o projeto não passou, mas uma nova votação onde
eram necessários dois terços dos votos o projeto foi aprovado. Desde sancionada
a lei, Viktor Orbán poderá alterar ou suspender quaisquer leis existentes no
país sem necessitar de aval do Parlamento. Com essa lei também, Orbán poderá
punir órgãos de imprensa que noticiarem notícias falsas com até 5 anos de
prisão. A principal questão é: Com tais poderes, qual órgão de imprensa vai se
arriscar a noticiar algo contra o governo de Órban?
Importante
analisar que essas duas premissas de mudança de lei e controle sobre a imprensa
que o primeiro-ministro Húngaro, que já é considerado por cientistas como
“moderadamente autoritário” propõe, o colocado no mesmo caminho da Venezuela de
Hugo Chávez. Um regime autoritário, porém, de extrema direita. Os
oposicionistas Húngaros, assim como os oposicionistas venezuelanos fizeram no
começo dos anos 2000 com Hugo Chávez, acusam o primeiro-ministro de dar um
“golpe de Estado” e levar o país para uma ditadura. O governo de Orbán que já é
alvo de investigações da União Europeia por diversas violações aos direitos
humanos devido a violação aos direitos de imigrantes e refugiados. Também por
atacar à imprensa e o poder Judiciário, sofre pressão dos países da União
Europeia para que a Hungria seja expulsa caso essa lei seja colocada em vigor.
Conclusão
É um exercício
de reflexão analisar a primeira e a segunda tabela e ver se o governo do seu
país está indo para o caminho democrático ou se está caminhando, através dos
meios democráticos, para o autoritarismo. É importante salientar que, como no
caso da Venezuela, Rússia e agora a Hungria, a democracia não entra em
decadência por instituições militares, como ocorreu no século XX em diversos
países, mas ocorrem dentro do jogo democrático, o que é muito perigoso, pois
esse autoritarismo não é mais de maneira abrupta, mas vai acontecendo
lentamente, até o Estado democrático definhar.
No Brasil, o
presidente Jair Bolsonaro tem feito a captura de árbitro, como utilizar a
Polícia Federal e agências de inteligência para uso do Governo Federal ou elas
são autônomas? Houve tentativa de eliminar jogadores, como o descredenciamento
ou censura de meios de comunicação ou de opositores ao seu governo? Em relação
às mudanças de regras do jogo, o presidente do Brasil tentou tirar o poder dos
governadores, mesmo o país sendo federativo? Houve tentativa de mudanças nas
leis para que enfraquecesse a atuação de grupos opositores ou discursos
deslegitimando o processo eleitoral do país sem provas?
Se a resposta para as perguntas acima teve ao menos um sim, o Brasil já se encaminha para uma ruptura com o sistema democrático, seguindo o mesmo caminho de Venezuela, Hungria, Rússia e outros países.
terça-feira, 3 de setembro de 2019
A Fake News econômica de Jair Bolsonaro
Infelizmente estamos na época da desinformação, da desinteligência, do anti-intelectualismo e de um cenário parecido com o Ministério da Verdadade, presente no livro "1984" de George Orwell, onde as verdade eram transformadas em mentiras e as mentiras em verdade e publicadas para a população. Livro que nosso presidente nunca leu (Também duvido que algum dia ele tenha lido algum livro importante).
Há uma gama de assuntos para comentar, mas no discurso de hoje, 03/09/2019, me chamou a atenção a falta de conhecimento histórico, mostrando mais uma vez que não é fã de leitura, e o fanatismo do presidente por espalhar Fake News para enganar seus pares. Em uma das suas falas na semana da pátria, o presidente teve a demagogia de falar que na época da Ditatura Militar "A economia era 10".
Oras, diferentemente do Sr. presidente que não está acostumado com os livrinhos e nem com a realidade, recorro a dados econômicos para ver se a fala presidencial é uma realidade ou não.
Nada como começar com as metas do governo militar de 1964 até 1967 e, posteriormente, de 1968 até 1973, quando houve o início do "milagre econômico:
o Plano de ação econômica do Governo (Paeg) não cumpriu as metas estabelecidas: a inflação (IGP) alcançou 92% em 1964, 34% em 1965 e 39% em 1966, quando as metas do Plano eram, respectivamente, 70%, 25% e 10%. As metas de expansão nominal dos meios de pagamento fixadas pelo governo foram ultrapassadas em 1964 e 1965 e as do crédito ao setor privado o foram nos três anos do Paeg. Devido aos problemas econômicos que estava levando o país a grandes problemas políticos e sociais, o governo viu-se obrigado a fazer uma série de reformas administrativas para fazer com que a economia obtivesse sucesso (Podemos falar em outro artigo sobre essa série de reformas, que não foi barato para o bolso dos brasileiros). Sendo assim, de 1968 até 1966 o PIB brasileiro teve uma melhora considerável, mantendo uma meta de 11% ao ano e chegando a atingir um nível muito bom de 19% no ano de 1966.
Temos a primeira falácia na fala presidencial, onde o crescimento foi negativo e o índice inflacionário bem superior do que o esperado nos primeiros anos. podendo cair essa nota dada do presidente de 10 para 7 +/-.
O Governo Figueiredo e a recessão econômica brasileira
Recessões econômicas:
1981: -4,3%
1982: 0,8%
1983: -2,9%
1984: 5,4%
Índices inflacionário:
1979: 54%
1980: 92%
1981: 100%
1982: 101%
1983: 131%
1984: 201%
Dívida externa (em dólares):
1972: U$11,4 bilhões
1974: U$20 bilhões
1975: U$25 bilhões
1976: U$32 bilhões
1977: U$37,9 bilhões
1978: U$72 bilhões
1979: U$55 bilhões
1980: U$64 bilhões
1981: U$73,9 bilhões
1982: U$85 bilhões
1983: U$93 bilhões
1984: U$102 bilhões
CONCLUSÃO
Como um presidente sem conhecimento histórico do seu país pode falar uma falácia dessa de que o governo militar foi nota 10 na economia? o governo militar entregou em 1985 ao governo civil um país quebrado, com 201% de inflação, U$105 bilhões de dívida externa e um PIB negativo.
O pouco crescimento do chamado "milagre econômico" foi uma passada de pano para a verdadeira realidade que se mostrou nos anos seguinte"
Deixa de ser mentiroso e preguiçoso! Vá estudar e analisar os dados!
Como um presidente pode falar algo assim? 10 na economia? Vai estudar, presidente! Saia de suas redes sociais e de suas Fake News! Vá entender a realidade do povo brasileiro!
Espero que um dia ele tenha acesso ao meu blog e possa olhar as sugestões de leituras abaixo e sair dessa bolha de mentira em que ele se fechou!
Sugestões de leitura
BARROS, Luiz Carlos M. “A Moeda Indexada: uma experiência brasileira” In: Economia e Sociedade, 1992.
BATISTA JR., Paulo Nogueira. A Economia como ela é. São Paulo: Boitempo Editorial, 2000.
BONELLI, Regis. “Política Econômica e Mudança Estrutural no Século XX”. In: Estatísticas do Século XX. Rio
de Janeiro: IBGE, 2003.
BONELLI, Regis; MALAN, Pedro S. “Os limites do possível: notas sobre balanço de pagamentos e indústria
nos anos 70”. Pesquisa e Planejamento Econômico, vol. 6, n. 2, pp. 353-406, ago. 1976.
BRESCIANI-TURRONI, Constantino. Economia da inflação — O Fenômeno da Hiperinflação Alemã nos Anos 20.
Rio de Janeiro: Expressão e Cultura, 1989.
BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. Desenvolvimento e Crise no Brasil: história, economia e política de Getúlio Vargas
a Lula. 5ª ed. São Paulo: Editora 34, 200
sexta-feira, 26 de julho de 2019
Netflix, Trump e o "Capitalismo racial"
terça-feira, 26 de março de 2019
A falta de decoro presidencial
Fontes: http://www4.pucsp.br/comissaodaverdade/mortos-e-desaparecidos-contextualizacao.html
https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2019/03/25/presidente-bolsonaro-manda-quarteis-celebrarem-o-31-de-marco.ghtml
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7170.htm
https://presrepublica.jusbrasil.com.br/legislacao/128811/lei-do-impeachment-lei-1079-50
