Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de São Carlos. . Uma pessoa que se interessa por música, literatura, esportes e política e, que apesar de não ser um bom escritor, tenta escrever algo de interessante nesse blog.
terça-feira, 3 de setembro de 2019
A Fake News econômica de Jair Bolsonaro
Infelizmente estamos na época da desinformação, da desinteligência, do anti-intelectualismo e de um cenário parecido com o Ministério da Verdadade, presente no livro "1984" de George Orwell, onde as verdade eram transformadas em mentiras e as mentiras em verdade e publicadas para a população. Livro que nosso presidente nunca leu (Também duvido que algum dia ele tenha lido algum livro importante).
Há uma gama de assuntos para comentar, mas no discurso de hoje, 03/09/2019, me chamou a atenção a falta de conhecimento histórico, mostrando mais uma vez que não é fã de leitura, e o fanatismo do presidente por espalhar Fake News para enganar seus pares. Em uma das suas falas na semana da pátria, o presidente teve a demagogia de falar que na época da Ditatura Militar "A economia era 10".
Oras, diferentemente do Sr. presidente que não está acostumado com os livrinhos e nem com a realidade, recorro a dados econômicos para ver se a fala presidencial é uma realidade ou não.
Nada como começar com as metas do governo militar de 1964 até 1967 e, posteriormente, de 1968 até 1973, quando houve o início do "milagre econômico:
o Plano de ação econômica do Governo (Paeg) não cumpriu as metas estabelecidas: a inflação (IGP) alcançou 92% em 1964, 34% em 1965 e 39% em 1966, quando as metas do Plano eram, respectivamente, 70%, 25% e 10%. As metas de expansão nominal dos meios de pagamento fixadas pelo governo foram ultrapassadas em 1964 e 1965 e as do crédito ao setor privado o foram nos três anos do Paeg. Devido aos problemas econômicos que estava levando o país a grandes problemas políticos e sociais, o governo viu-se obrigado a fazer uma série de reformas administrativas para fazer com que a economia obtivesse sucesso (Podemos falar em outro artigo sobre essa série de reformas, que não foi barato para o bolso dos brasileiros). Sendo assim, de 1968 até 1966 o PIB brasileiro teve uma melhora considerável, mantendo uma meta de 11% ao ano e chegando a atingir um nível muito bom de 19% no ano de 1966.
Temos a primeira falácia na fala presidencial, onde o crescimento foi negativo e o índice inflacionário bem superior do que o esperado nos primeiros anos. podendo cair essa nota dada do presidente de 10 para 7 +/-.
O Governo Figueiredo e a recessão econômica brasileira
Recessões econômicas:
1981: -4,3%
1982: 0,8%
1983: -2,9%
1984: 5,4%
Índices inflacionário:
1979: 54%
1980: 92%
1981: 100%
1982: 101%
1983: 131%
1984: 201%
Dívida externa (em dólares):
1972: U$11,4 bilhões
1974: U$20 bilhões
1975: U$25 bilhões
1976: U$32 bilhões
1977: U$37,9 bilhões
1978: U$72 bilhões
1979: U$55 bilhões
1980: U$64 bilhões
1981: U$73,9 bilhões
1982: U$85 bilhões
1983: U$93 bilhões
1984: U$102 bilhões
CONCLUSÃO
Como um presidente sem conhecimento histórico do seu país pode falar uma falácia dessa de que o governo militar foi nota 10 na economia? o governo militar entregou em 1985 ao governo civil um país quebrado, com 201% de inflação, U$105 bilhões de dívida externa e um PIB negativo.
O pouco crescimento do chamado "milagre econômico" foi uma passada de pano para a verdadeira realidade que se mostrou nos anos seguinte"
Deixa de ser mentiroso e preguiçoso! Vá estudar e analisar os dados!
Como um presidente pode falar algo assim? 10 na economia? Vai estudar, presidente! Saia de suas redes sociais e de suas Fake News! Vá entender a realidade do povo brasileiro!
Espero que um dia ele tenha acesso ao meu blog e possa olhar as sugestões de leituras abaixo e sair dessa bolha de mentira em que ele se fechou!
Sugestões de leitura
BARROS, Luiz Carlos M. “A Moeda Indexada: uma experiência brasileira” In: Economia e Sociedade, 1992.
BATISTA JR., Paulo Nogueira. A Economia como ela é. São Paulo: Boitempo Editorial, 2000.
BONELLI, Regis. “Política Econômica e Mudança Estrutural no Século XX”. In: Estatísticas do Século XX. Rio
de Janeiro: IBGE, 2003.
BONELLI, Regis; MALAN, Pedro S. “Os limites do possível: notas sobre balanço de pagamentos e indústria
nos anos 70”. Pesquisa e Planejamento Econômico, vol. 6, n. 2, pp. 353-406, ago. 1976.
BRESCIANI-TURRONI, Constantino. Economia da inflação — O Fenômeno da Hiperinflação Alemã nos Anos 20.
Rio de Janeiro: Expressão e Cultura, 1989.
BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. Desenvolvimento e Crise no Brasil: história, economia e política de Getúlio Vargas
a Lula. 5ª ed. São Paulo: Editora 34, 200
sexta-feira, 26 de julho de 2019
Netflix, Trump e o "Capitalismo racial"
Hoje grande parte dos brasileiros assinam serviços de streaming, onde o mais famoso é a Netflix. Recentemente em suas produções a Netflix lançou uma série chamada "Olhos que condenam", baseado na históra dos cinco adolescentes negros e latinos que foram acusados de estuprar, em 1989, uma mulher no Central Park, em Nova York. Posteriormente, através de exames de DNA, esses adolescentes foram inocentados, mas os ataques e os danos à cultura negra e latina já havia sofrido uma ação irreversível.
A questão é: Por que o título desse artigo do meu blog é "Netflix, Trump e o "Capitalismo racial""? A resposta é simples e eu vou discorrer sobre isso em breves parágrafos. Porém, posso adiantar que as três coisas estão totalmente interligadas e nos ajudam a entender os movimentos de ódio ao "outro" nos EUA, no Brasil e no mundo.
Nossa economia capitalista moderna nasceu devido a dois grandes fatores: terras indígenas roubadas e pessoas africanas roubadas. Esses fatos exigiram na época teorias intelectuais que classificavam o valor relativo da vida e do trabalho humano, sempre colocando o homem branco no topo da sociedade. No Brasil essa questão não foi diferente, pois intelectuais como Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Raimundo Faoro só trocaram a palavra "racismo" por "culturalismo", justificando sempre o brasileiro como um povo inferior ao resto do mundo, mas isso é assunto para outro post.
O termo "Capitalismo racial" surgiu de um teórico político chamado Cedric Robinson que, segundo ele, disse: "A capacidade de descartar as pessoas de pele mais escura e as nações mais escuras a fim de justificar a apropriação de suas terras e de sua força de trabalho foi fundamental, e nada disso teria sido possível sem as teorias de supremacia racial. O algodão e o açúcar colhidos pelos escravos africanos foram os combustíveis que impulsionaram a Revolução Industrial".
Resumindo tudo isso, a economia em qualquer lugar do mundo nunca pôde ser dissociada da política de identidade de "raça". Isso tantos no começo do capitalismo como hoje nos seus modos mais predatórios possíveis.
Entender isso, é entender que todas as vezes que os diferentes grupos étnicos obtiveram algum tipo de ganho ou de poder que tornou suficiente para ameaçar o mundo corporativo, principalmente dos anos de 1980 até os dias atuais, os trabalhadores brancos foram convencidos por políticos e por grandes corporações de que seus verdadeiros inimigos eram as pessoas de pele escura que estavam roubando o seu emprego ou praticando violência. Podemos citar vários casos no mundo todo: Nos EUA as últimas eleições foram baseadas totalmente na disputa entre Brancos x Latinos/Pretos; nas últimas eleições do Brasil as disputas foram baseadas em Classe média que teve uma ascensão e se identifica mais com os bilionários do que com o seu passado humilde, não aceitando que pessoas mais pobres ocupassem o mesmo espaço que elas X Pobres e Pretos que obtiveram uma leve ascensão social; Na França a disputa foi entre um discurso de ódio da extrema direita representada por Marine Le Pen (filha de Jean Le Pen, político que negou o holocausto) X Macron.
Assim que entendemos como funciona o "Capitalismo racial", podemos entrar no caso retratado na série da Netflix e o atual Presidente dos EUA, Donald Trump e podemos comprovar através de um caso de ódio e atitudes tomadas pelo na época empresário Trump, como nós chegamos nesse capitalismo e nessa democracia do desastre.
Quando o crime ocorreu, Donald Trump, na época um empresário que já havia falido diversas empresas, pagou anúncios de página inteira nos mais importantes jornais diários dos EUA no qual clamava pela volta da pena de morte. O que se viu posterior a isso foi uma população com ódio crescente de pretos e latinos. Mais tarde, quando os cinco jovens foram inocentados através de diversos testes de DNA feito pelo governo americano e suas sentenças foram anuladas, Donald Trump se recusou a se desculpar ou a se retratar de suas ações.
Isso explica o governo Trump atual que, através do seu Departamento de Justiça, alegue que os serviços sociais, a contribuição da população civil e os órgãos competentes ligados à questão migratória estão desmoronando as cidades de Chicago e Nova York devido aos imigrantes, que são responsabilizados por todos os crimes cometidos.
É óbvio que discursos como esses tendem a desviar os focos dos anos de negligência neoliberal, criando "guerras contra o crime", "guerras contra às drogas" e arrumar um inimigo para a falha de um sistema que já nasceu falido.
Qualquer semelhança entre os discursos de ódio da classe média ascendente e a classe alta brasileira com os grandes corporativistas dos EUA posso garantir que não é mera coincidência.
Para entender melhor como os imigrantes e pretos nos EUA (também em outras partes do mundo) são tratados, assistam a série "Olhos que condenam".
Fonte: Cedric Robinson - Black Movements in America
The New York Times - textos de 1989 retirados do site
Naomi Klein - A doutrina do Choque
Naomi Klein - Isso muda tudo
Netflix - Olhos que condenam
terça-feira, 26 de março de 2019
A falta de decoro presidencial
No último dia 25 de março o então presidente
eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, mandou que fosse celebrado no próximo dia 31
de março comemorações favoráveis ao Golpe Militar de 1964, alegando “Não
considerar 31 de março de 1964 como um golpe” e “não considerar o período como
uma ditadura”. Porém, quais são as consequências dessa declaração do principal
chefe do Executivo do Brasil?
Primeiramente, a opinião pessoal de Jair
Bolsonaro não deve refletir na opinião do Presidente da República. A ditadura
militar é um fato comprovado por estudos, pela história e pela Comissão
Nacional da Verdade que, quando analisado, tornam-se os números assustadores.
No Brasil, a radiografia dos atingidos pela
repressão política ainda está longe de ser concluída, mas conforme levantamento
da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos da SEDH-PR sabe-se
que pelo menos 50 mil pessoas foram
presas somente nos primeiros meses da ditadura militar e cerca de 20 mil brasileiros passaram por sessões de
tortura. Além disso, existem 7.367
acusados e 10.034 atingidos na fase de inquérito em 707 processos judiciais por
crime contra a segurança nacional; sem falar nas milhares de prisões
políticas não registradas, nas quatro condenações à pena de morte, nos
aproximadamente 130 banidos, nos 4.862 cassados, nas levas de exilados e
nas centenas de camponeses assassinados.
Ainda conforme levantamento feito pela Comissão
Nacional da Verdade, 191 brasileiros
que resistiram à ditadura foram mortos,
210 estão até hoje desaparecidos e foram localizados apenas 33 corpos, totalizando 434 militantes mortos e desaparecidos.
E os agentes dos órgãos de repressão do Estado que foram até agora
identificados, responsáveis pelas torturas e assassinatos, totalizam 337.
Dessa forma, com esses números comprovados, a
primeira consequência é que o Presidente da República, se posicionando a partir
de seu cargo, favorável a um período antidemocrático e com as características
citadas acima, está cometendo um crime de Lesa-pátria. É importante frisar que
o crime de Lesa-pátria é um crime independente do partido político ou do
segmento ideológico das pessoas, pois é uma lei assinada pelo presidente João
Figueiredo em 1983 e que está na constituição e nos códigos penais, sendo
passíveis de punição.
Mas o que é crime de Lesa-pátria e porque é um
crime tão grave assim? O crime de Lesa-pátria é uma lei que prevê os crimes que
lesam ou expõem a perigo de lesão o “regime
representativo e democrático, a Federação e o Estado de Direito” (Artigo
1º, inciso II). Esse crime se agrava
ainda mais quando é “praticado o crime
com o auxílio de qualquer espécie, de governo, organização internacional ou
grupos estrangeiros” (Artigo 4º. Inciso II a).
Analisando o artigo primeiro, inciso dois sobre
o crime de Lesa-pátria, vemos que a ditadura militar extinguiu em 9 de abril de
1964 o regime representativo através do Ato Institucional número 1,
estabelecendo eleições indiretas para Presidente da República e podendo cassar
os mandatos dos representantes do Legislativo que foram eleitos pelo povo,
retomando essa forma de política somente em 1989. Dessa forma, o atual
presidente Jair Bolsonaro, exaltando a Ditadura Militar e fazendo comemorações,
já comete o crime de defender a falta de representatividade popular.
A segunda parte do inciso dois fala sobre a
lesão ao regime democrático. Durante a Ditadura Militar no Brasil várias
manifestações políticas foram repreendidas com apreensões, torturas dos atores
políticos que pensavam diferente dos donos do poder, gerando esse alto número
de mortos e desaparecidos citados acima. Diferentemente do que a maioria da
população pensa, a democracia não é só o direito a votos, mas é o direito de se
expressar e de ter os seus direitos de protesto, oposição e liberdade de
expressão garantidos. Mesmo que o seu representante não seja eleito, quem está
no poder tem que governar para toda uma nação e não somente para quem o elegeu.
Se no Regime Militar de 21 anos existentes no Brasil esses direitos não foram
garantidos e temos um Presidente da República que exalta esse tipo de política,
claramente comete um crime grave contra a sua pátria.
Em relação a lesão à Federação e ao Estado
democrático de direito, poderíamos discorrer um livro sobre as atrocidades que
atacaram o “direito de propriedade” e
o “Princípio da dignidade humana”
(Montesquieu), sendo que tivemos várias influências dos Estados Unidos da
América no Regime Militar brasileiro.
O artigo quarto é o mais grave criminalmente
para o Presidente da República, pois quando ele se utiliza do seu cargo
governamental para exaltar o período ditatorial de um país, ele está agravando
o crime. A pena para esse tipo de crime está prevista no Artigo 22 (Fazer, em
público, propaganda), com um a quatro anos de prisão, podendo aumentar a pena
em caso de propaganda feita em local de trabalho ou por meio de rádio ou
televisão; incitar a subversão da ordem política e social (As declarações do
presidente causam esse tipo de subversão da ordem de quem o defende contra quem
é contra as suas ideias, principalmente em redes sociais);
Tal declaração e manifestação de um presidente
da República é uma afronta gravíssima à democracia, que se analisada na Lei
do Impeachment - Lei 1079/50,
poderia ter consequências ruins para o governante e para o país, sofrendo um
desgaste político e mais um processo de Impeachment. Não é o que o Brasil
necessita agora. O que o Brasil precisa é de uma presidência que saiba fazer
articulações políticas e fazer esforços para a despolarização política social,
conseguir fazer políticas inclusivas e econômicas que reestruturem o país. É
necessário gerar a despolarização causada desde 2014 pelos atuais donos do
poder que não aceitaram a derrota eleitoral.
Aos opositores, resta
fazer uma oposição inteligente e sem extremismos, trazendo novos eleitores e
mostrando que estão corretos nos seus pontos de vistas e argumentos. O que se
vê da oposição até agora é o mesmo que se vê de quem está no poder: Ataque e
mais ataques, sem demonstrar argumentos lógicos e debates relevantes acerca dos
problemas atuais do Brasil. É claro que nem toda oposição faz esse tipo de
política mas, infelizmente, é a que se sobressai.
Fontes: http://www4.pucsp.br/comissaodaverdade/mortos-e-desaparecidos-contextualizacao.html
https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2019/03/25/presidente-bolsonaro-manda-quarteis-celebrarem-o-31-de-marco.ghtml
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7170.htm
https://presrepublica.jusbrasil.com.br/legislacao/128811/lei-do-impeachment-lei-1079-50
terça-feira, 30 de outubro de 2018
O retrocesso ambiental do futuro governo
Com as eleições definidas e o novo presidente eleito, os planejamentos para a transição e a nova governabilidade começaram a acontecer, porém não de forma muito agradável.
Assim como fiz quando a ex presidenta Dilma Rousseff foi reeleita, vou começar a analisar os ministério e as principais ideias e propostas que o então candidato e o seu governo tem para administrar o nosso pais. Começarei pela pasta da Agriculta e Meio-Ambiente.
A proposta do presidente Jair Bolsonaro é fundir o Ministério da Agricultura e do Meio-Ambiente em um ministério só, ainda sem nome. A ideia, a principio, parece boa, pois diminui o gasto com um ministério, há menos burocracia para determinados assuntos e tendo um ministro competente e com experiência tudo acontecerá conforme o script. Porém, na prática não é bem assim. Por que? vamos analisar.
O agronegócio representa ao Brasil quase 23% do PIB, número significativo e importante para a movimentação econômica do país. Os investimentos tem sido constantes e a participação no PIB tende a aumentar nos próximos anos, principalmente devido a procura internacional e a aproximação do Brasil com os Estados Unidos e a taxação dos EUA em relação aos produtos chineses.
Mas nem tudo no agronegócio são flores. Para o crescimento do agronegócio, necessita-se mais investimento em terras e o aumento das propriedades, tirando as terras dos pequenos agricultores e causando cada vez mais desemprego no campo. Ou seja, diferentemente do que acontece nos países mais desenvolvidos, no Brasil aumenta-se o latifúndio, diminui-se o minifúndio e nenhum governo mostrou-se capaz de fazer uma reforma agrária eficiente, onde você gera emprego aos trabalhadores do campo e aumenta os minifúndios policultores para subsistência. Nesse sentido, estamos indo para o lado contrário do desenvolvimento incentivando mais criação de latifúndios monocultores.
O mais assustador de tudo isso talvez seja o discurso do presidente eleito, onde ele ira "metralhar" essas pessoas que lutam por terras para morar e poder sobreviver.
Em relação ao meio ambiente, não é novidade para ninguém que o Brasil é um país que não respeita as leis, principalmente pela "bancada ruralista" na câmara dos deputados. O agronegócio invade cada vez mais para as áreas de vegetações, principalmente o Cerrado e a Floresta Amazônica, e não há uma punição para quem desmata ou invade essas áreas.Para se ter uma ideia, só no ano de 2017, a quantidade de área invadida para o aumento do agronegócio foi de 33 milhões de hectares, que é equivalente a metade do território francês. A explicação até o momento é bem simples:
o maior latifundiário do Brasil é o Sr. Blairo Maggi, Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do governo Michel Temer.
Quem um latifundiário iria proteger, o meio-ambiente ou os interesses econômicos?
Resumindo: Qual é o panorama na fusão desses ministérios proposto pelo novo governo?
Tem tudo para ser um verdadeiro desastre e um retrocesso para o meio-ambiente, para a população mais pobre do campo e para a governança ambiental. Quem irá ganhar com isso é somente quem possuí latifúndio e é dono de agroindústrias (No Brasil, atualmente, estamos sendo bombardeados por indústrias estrangeiras nesse ramos).
- A tendência é que se enfraqueça a governança e diminua a burocracia, mas também que se torne menos rígidas as leis ambientais, devido a excessiva necessidade de agradar o mercado externo a investir no Brasil;
- Têm países que investem dinheiro para a proteção das Florestas no Brasil. Com uma legislação mais flexível e uma fiscalização inexistente desde a entrada do Governo Temer, países já deixaram de dar dinheiro da a manutenção da Floresta Amazônica, como é o exemplo da Noruega que deixou de dar ao Brasil R$3,6 bilhões. Com o aumento da produtividade devido ao enfraquecimento das leis e da fiscalização, menos países investirão na proteção das nossas florestas.
- Os movimentos ambientalistas vão ter que se reorganizar e voltar décadas, quando faziam pressão de fora para dentro para não ter que perder terras, trabalhos, direitos. Os governos de Sarney, Itamar, FHC, Lula e Dilma vinham melhorando nesse aspecto, principalmente com a ajuda de Marina Silva, uma grande entendedora e inteligentíssima ambientalista.
O retrocesso nessa área é inegável!
quarta-feira, 23 de agosto de 2017
quinta-feira, 12 de maio de 2016
Eu vejo o futuro repetir o passado...
Qual é a semelhança entre o atual momento do Brasil e o Brasil de 1930 até começo da década de 60? É óbvio que eu não vou responder aqui. Brasileiro tem a triste fama de não conhecer a sua histórias, cometendo os mesmos erros do passado. Pior ainda, brasileiro tem como característica não buscar a sua história, sendo massa de manobra para quem quiser e para quem tem poder.
Quem conhece a sua história, quem trabalha com argumentos e quem conhece a realidade dos seus cidadãos, não aceita discursos de ódios, xenofóbicos, homofóbicos, classistas, sexistas, racistas ou o que for.
Sabemos que as características da nossa estratificação social é patriarcalista e escravista (Perdão se você faz parte da classe média alta e não sabe disso... acho que a história não lhe importa, né?). Vimos essa situação mudar em algum momento da nossa história, porém em sequência vimos que as classes mais altas não gostam da independência das mulheres e nem que os negro tenham algum tipo de poder. Pouco tempo atrás tentou-se mudar novamente essa situação, mas vimos novamente que a classe média/alta não gosta de perder o poder... Não gosta nem de pensar que um dia uma mulher possa chegar a algum lugar nesse país... Não gosta nem de pensar que um negro possa ser igual a eles (Onde já se viu??? Que absurdo é esse de negros no poder?? Que absurdo é esse de negros como médicos? lugar de negros é como empregado, subordinado!!!).
O que vocês fariam se desde hoje fossem comandados por pessoas com esses perfis:
- Latifundiário responsável por manter pessoas em situação de trabalho análoga à escravidão;
-Latifundiário responsável por mandar executar diversos de trabalhadores do campo responsáveis pela agricultura familiar;
- Advogado responsável por mandar balear e bater em estudantes que em nenhum momento resistiram ou mostraram qualquer tipo de violência contra a polícia;
Deputados acusados de receber milhões de dólares em propinas no escândalo da Lava-Jato;
- Um deputado que faz um discurso de guerra as drogas, dizendo em seus discurso que todos os usuários "tem mais é que apanhar na cara e ser preso mesmo!";
- Um ministro do trabalho que é contra os direitos dos trabalhadores;
- Um ministro da ciência e tecnologia que bateu em um aposentado e é acusado de receber milhões em propinas durante o seu mandato como prefeito de São Paulo;
- Um ministro paraense que manteve empresas fantasmas enquanto era prefeito de Ananindeua.
Não conhece nenhuma pessoa com esses perfis??? Parabéns, isso prova tudo o que eu disse acima!!! Brasileiro não sabe por quem é comandado, por isso que a história se repete!!
Essas características aí são dos novos MINISTROS do presidente Michel Temer...
Isso porque eu não falei do José Serra e Sarney Filho, senão teria que escrever mais uns 10 posts só pra falar de escândalos desses dois senhores.
Só pra encerrar, eu vou citar a parte de uma música de um artista que eu nem gosto muito, mas que foi um gênio escrevendo isso: "Eu vejo o futuro repetir o passado..." (Cazuza)
quarta-feira, 6 de abril de 2016
"Com a lei, pela lei e dentro da lei. porque fora da lei não há salvação"
Ontem, dia 06/04/2016, foi um dia de ouvir colocações políticas absurdas onde, ao meu ver, a mais absurda de todas foi de pedido de novas eleições gerais para outubro deste mesmo ano. Se essas colocações tivessem vindas de políticos considerados novos eu não ficaria tão pasmado, apesar de achar que para se estiver em um cargo político deve-se conhecer a constituição brasileira desde a capa até o fim, mas essas colocações vieram de pessoas e de renomes e com cargos importantes. Cito aqui duas pessoas: Renan Calheiros e Marina Silva.
Oras, será que essas pessoas que fazem esse pedido absurdo não sabem que, a princípio, um pedido como esse pressuporia uma renúncia coletiva? Não só das pessoas que estão ocupando cargos no executivo, mas também no legislativo. Será que esses deputados e senadores não sabem que para ocorrer uma eleição geral eles teriam que renunciar aos seus próprios cargos?
Vamos pensar na cultura brasileira aonde se sabe (não é suposição!) que muito dos deputados, senadores, vereadores e prefeitos estão no seu cargo apenas pelos privilégios financeiros e de status. Estão em seus cargos pelos gozos a que lhe são ofertados e pela oportunidade de cada vez mais viver à custa dos cidadãos comuns, sem tem que trabalhar de verdade mesmo, no mais árduo sentido da palavra TRABALHO!
E não adianta vir ao meu blog deferir defesas e comentários contra essa minha colocação. Para isso é simples: Tente tirar os privilégios parlamentares e financeiros e obrigue-os a conhecer as leis e as constituições para legislar em favor do povo. Quanto será que continuariam em seus cargos?
Se analisarmos isso, essas pessoas na veem que essa proposta é utópica e absurda? Ainda muitas dessas pessoas pedem ao Superior Tribunal Federal para que haja faça essa intervenção e convoque novas eleições.
O STF não tem como implementar uma emenda para mudar algo que está em execução. Criar uma emenda é se mostrar contrário aos ditames constitucionais. E acho que o que nós menos queremos nesse instante é que alguém rasgue a nossa constituição como em outro momento da nossa história, correto?
O que nos basta analisar, dentro da cultura política brasileira, qual será o interesse de cada um que defende essas novas eleições gerais e, principalmente, se esses interesses tem cunho particular/partidário ou de benefício social.
Oras, será que essas pessoas que fazem esse pedido absurdo não sabem que, a princípio, um pedido como esse pressuporia uma renúncia coletiva? Não só das pessoas que estão ocupando cargos no executivo, mas também no legislativo. Será que esses deputados e senadores não sabem que para ocorrer uma eleição geral eles teriam que renunciar aos seus próprios cargos?
Vamos pensar na cultura brasileira aonde se sabe (não é suposição!) que muito dos deputados, senadores, vereadores e prefeitos estão no seu cargo apenas pelos privilégios financeiros e de status. Estão em seus cargos pelos gozos a que lhe são ofertados e pela oportunidade de cada vez mais viver à custa dos cidadãos comuns, sem tem que trabalhar de verdade mesmo, no mais árduo sentido da palavra TRABALHO!
E não adianta vir ao meu blog deferir defesas e comentários contra essa minha colocação. Para isso é simples: Tente tirar os privilégios parlamentares e financeiros e obrigue-os a conhecer as leis e as constituições para legislar em favor do povo. Quanto será que continuariam em seus cargos?
Se analisarmos isso, essas pessoas na veem que essa proposta é utópica e absurda? Ainda muitas dessas pessoas pedem ao Superior Tribunal Federal para que haja faça essa intervenção e convoque novas eleições.
O STF não tem como implementar uma emenda para mudar algo que está em execução. Criar uma emenda é se mostrar contrário aos ditames constitucionais. E acho que o que nós menos queremos nesse instante é que alguém rasgue a nossa constituição como em outro momento da nossa história, correto?
O que nos basta analisar, dentro da cultura política brasileira, qual será o interesse de cada um que defende essas novas eleições gerais e, principalmente, se esses interesses tem cunho particular/partidário ou de benefício social.
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