quarta-feira, 23 de abril de 2014

Zapatismo, EZLN - Autonomia e Poder

Antecedentes da formação do Exército Zapatista de Libertação Nacional


Durante o regime do partido único Partido Revolucionário Institucional (PRI) que durou mais de 70 anos, os movimentos camponeses, operários e populares que discordavam do modelo de nação priista enfrentaram consecutivas e sistemáticas repressões, o que fez com que muitos jovens considerassem os canais legais da participação política fechados e apostassem na formação de organizações armadas para buscar a derrota de um regime que de seu ponto de vista era autoritário, e melhorar as condições de vida da população.
De uma dessas organizações, a Forças de Libertação Nacional (FLN), surgiu o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN).
As FLN foram fundadas em 6 de agosto de 1969, no norte do país: (Monterrey, Nuevo León) e, segundo o general Mario Arturo Acosta Chaparro, em seu informe Movimentos subversivos no México, "haviam estabelecido suas zonas de operação nos estados deVeracruz, Puebla, Tabasco, Nuevo León e Chiapas".
Em fevereiro de 1974 aconteceria em San Miguel Nepantla, Estado de México, um confronto entre uma unidade do Exército federal - à frente do qual estava o então tenente coronel Acosta Chaparro - e integrantes da FLN. Alguns destes perderiam a vida no combate, como Carmen Ponce e Dení Prieto e outros seriam presos, como ocorreu com María Gloria Benavides, que denunciou haver sido torturada.3
Como consequência deste confronto, as FLN perderam sua capacidade operacional. No início da década de 1980, alguns de seus militantes decidiriam a fundação do Exército Zapatista de Libertação Nacional. Assim, em 17 de novembro de 1983, um grupo de pessoas entre as quais se encontravam indígenas e mestiços, declaram formalmente constituída a formação de um exército regular que em 1 de janeiro de 1994 sairia à luz pública sob a declaração de guerra ao governo mexicano.

Influencias e lugares de ação no Princípio do EZLN

Emiliano Zapata – Lutas pelas terras e pelos direitos indígenas

Chiapas – Estado mais pobre e com o maior grupo de indígenas (descendentes de maias). A selva Lacandona era o principal lugar de refúgio desses indígenas. O local era rico em recursos naturais como madeira, petróleo, água, etc...

Grande preconceito – Havia um desprezo por parte dos políticos em relação a população indígena, formando uma disputa entre Brancos x Índios no país mexicano.


Constituição e Fortalecimento do Exército Zapatista de Liberação Nacional

1 de janeiro de 1994 -  Tratado de livre comércio entre os EUA, Canadá e o México

·         Como forma de mostrar que esse acordo de livre comércio seria prejudicial aos povos indígenas do México e já com um antecedente de luta contra as corrupções do presidente Salinas, o EZLN tomou sete cidades como forma de mostrar que eles viviam na pobreza e não achavam justo esse tratado, que só aumentaria a miséria.

·         O Governo de Salinas começa uma Repressão em massa contra o protesto indígena, deixando milhares de mortos por todo o país.

·         A partir de 1994, o EZLN deixa as armas de lado e começam a usar as palavras como poder.



Grupo guerrilheiro com características diferentes da esquerda ortodoxa

- Há uma visão diferente do mundo e lutar junto com a população indígena era a prioridade do EZLN. Ao invés de lutar pelos indígenas, eles lutam JUNTO com os indígenas do México, sempre ouvindo bastante suas reivindicações.



Governo e EZLN

Há uma tentativa de acordo entre representantes do governo e do Exército Zapatista.

- Juntaram representantes de quase todos os grupos étnicos do país fazendo-se, a partir de então, uma inversão da política, ou seja, passou a ser de baixo para cima.

Fundação do congresso nacional indígena – Direito de auto-governo e controle dos seus recursos naturais.
Ao mesmo tempo em que os indígenas alcançaram essa conquista, eles tinham que lutar muito para o governo cumprir esse acordo.



Mudança de Governo

A partir de 2001, entra no governo um partido mais conservador que o de Salinas.

·         O grupo faz uma marcha e pede para entrar no congresso para discursar. Os comandantes e as comandantes conseguem o direito a entrar no congresso e nesse dia a Comandante Ester faz um discurso para o povo mexicano que entrou para a história do país.

Maior Repressão por parte do Governo

O Governo mexicano vendo as áreas indígenas como uma grande área de recursos naturais e importante para a exploração dos seus recursos, promovem uma grande ação para o massacre dos índios Chiapas.

A partir dessa ação, o EZLN ve que não tem mais como conversar com o Governo, pois até a esquerda mexicana havia traído o movimento. Com isso, eles formam seus próprios sistemas.

A principal frase que há em todos os territórios zapatistas é a seguinte: “ ESTA USTED EN TERRITORIO ZAPATISTA. EN REBELDIA, AQUI MANDA EL PUEBLO, EL GOBIERNO OBEDECE!!!”

Sistema Zapatista

-Sistema educativo autônomo
-Sistema de saúde: Tentam se profissionalizar em medicina
- Sistema de governo autônomo
- Projeto de mídia alternativa para mostrar a realidade dos Chiapa (criação da rádio insurgente EZLN)
-Arte desenvolvida de pintura mural

Guardiões à Pessoas que deixam de ser camponeses para lutar ao lado do EZLN

Música Zapatista à Chicanos que foram conhecer e aprender sobre a realidade zapatista e fazer músicas sobre isso.

Papel da mulher

- Antes = subordinação
- Depois = reivindicação dos direitos e conquistas de igualdade

FIGURAS HISTÓRICAS: COMANDANTE RAMONA E COMANDANTE ESTÉR

As mulheres desarmadas conseguiram a parada dos militares em Chiapas com as mãos.



EZLN Atualmente

-Busca de um novo sujeito político
-Criar Coletividade autônoma
-2006 à Campanha da escuta feita pelo Subcomandante Marcos, onde ele saiu pelo México para ouvir os problemas das pessoas.
·         Nessa campanha, Subcomandante Marcos vê que as repressões sofridas por diversos grupos são iguais.
·         Começa a surgir uma cena política diferente, uma consciência nova que vê que a diferença é boa e interessante.

O governo tem um projeto turístico na área de Chiapas, mas isso vai contra a Lei. Como não podem entrar no estado militarmente, eles usam grupos paramilitares que trabalham dentro da comunidade indígena e ameaçam estuprar as mulheres, fazem ameaças psicológicas, tacam fogo nas casas e batem nas pessoas. Usam como forma de repressão também dar dinheiro para os Chiapas, exigindo que quem receber esse dinheiro deixe de fazer parte da EZLN. Esse foi um dos motivos da atual pobreza da EZLN.

A ideia e o objetivo do EZLN não é tomar o poder, mas sim criar formas de contra-poder.


Leituras Interessantes:

Don Durito – Subcomandante Marcos

Mudar o mundo sem tomar o poder – John Holloway

http://boitempoeditorial.com.br/livro_completo.php?isbn=85-87767-11-9

quarta-feira, 9 de abril de 2014

BRASÍLIA – A CAPITAL GEOPOLÍTICA DO BRASIL

A mudança da Capital brasileira durante o período JK foi um marco não só na história brasileira, mas também um marco mundial. O marco na história brasileira será discorrido nos tópicos abaixo, porém o marco na história mundial foi por Brasília ter sido a primeira capital construída por um país independente, sendo considerado patrimônio histórico pela UNESCO – O plano piloto é claro.

                          Foto de Satélite do Plano Piloto

A primeira tentativa de mudança da capital foi proposta na constituição de 1891, onde no mapa brasileiro foi demarcado um retângulo, denominado RETÂNGULO CRULS. Esse retângulo foi demarcado pelos políticos da República Velha onde hoje se localiza o Distrito Federal e tinha como um dos objetivos acostumar a população com essa ideia.
Abaixo segue um mapa apresentado nas escolas brasileiras na década de 1920.

                                 Detalhes escolar de um atlas luso-brasileiro de 1927, onde estava demarcado o 
                                            Triangulo Cruls, a prevista área para o Distrito Federal.



PERÍODO JK

PLANO DE METAS – Tinha como objetivo desenvolver setores estratégicos, principalmente energia, transporte, indústria de base e mais duas metas que não foram cumpridas: Alimentação e Educação.
Esse plano de metas permitia a entrada de capital estrangeiro, diferente de Getulio Vargas, que tinha como base as indústrias estatais.

50 ANOS EM 5 – Juscelino queria modernizar o Brasil com as tecnologias estrangeiras. Com essa modernização, Juscelino causa uma grande crescente na divida externa, gerando uma enorme inflação econômica no Brasil.


MUDANÇA DA CAPITAL

MARCHA PARA O OESTE – Levar a capital para o Oeste brasileiro era o pretexto utilizado pelo governo brasileiro para modernizar o país.

PORQUE SAIR DO RIO DE JANEIRO?

  •  Não há tranquilidade para governar – Apesar de não oficial, esse era o principal motivo para o governo mudar a capital federal para uma região pouco povoada. Eles queriam fugir das agitações sociais.
  • O Rio de Janeiro é Litorâneo – Esse argumento foi usado como pretexto pelo governo de Juscelino Kubitschek para a mudança devido a facilidade de ser atacada por outros países pelo mar em uma possível situação de guerra e de receber doenças vindas de outros países através de embarcações. Esses argumentos eram errôneos, pois já existia o poder aéreo, podendo trazer guerras e doenças para a Capital Federal, mesmo que ela fosse localizada no Centro Oeste Brasileiro.


CONSTRUÇÃO DE BRASILIA

Demorou 4 anos para ser construída. Foi uma construção super rápida em relação as outras capitais construídas no mundo.

URBANISTA – Lúcio Costa
ARQUITETO – Oscar Niemeyer

CARTA DE ATENAS – Le Corbusier publicou esse livro contendo visão da cidade funcional, com planejamento regional, zoneamento funcional, conjuntos habitacionais providos de equipamentos coletivos e outros elementos da arquitetura futurista.

PLANO PILOTO – Foi feito para abrigar funcionários públicos. Pessoas de baixa renda não podem morar e o Brasil inteiro trabalha para sustentar Brasília.

CIDADES SATÉLITES – Onde foram morar os candangos – como eram chamados as pessoas que construíram Brasília.  Tem os piores índices de mortalidade infantil no Brasil. Não há organização do espaço. A arquitetura não foi feita para os pobres.


ASPECTOS GEOPOLÍTICOS DO PLANO PILOTO

ELIMINAÇÃO DA RUA TRADICIONAL


  • Automóveis – Não é para haver pedestres em Brasília.



  • Vias expressas – Não há cruzamentos, pois na necessidade deles, há um desnível no asfalto.

NÃO HÁ SEMÁFOROS E NEM CALÇADAS

GRANDE INOVAÇÃO URBANISTA – Superquadras, que irão facilitar a setorização, como veremos abaixo.

SETORIZAÇÃO – Cada local da cidade é destinada para uma determinada atividade, o que acaba sendo importante para a vigilância das pessoas.
Não há um centro urbano em Brasília.

ENTRADAS/SAÍDAS – A cidade tem 4 entradas/saídas e em cada uma delas há um quartel das forças armadas, se tornando fácil de ser bloqueada e fechada para o caso de grandes manifestações.