Assim como fiz quando a ex presidenta Dilma Rousseff foi reeleita, vou começar a analisar os ministério e as principais ideias e propostas que o então candidato e o seu governo tem para administrar o nosso pais. Começarei pela pasta da Agriculta e Meio-Ambiente.
A proposta do presidente Jair Bolsonaro é fundir o Ministério da Agricultura e do Meio-Ambiente em um ministério só, ainda sem nome. A ideia, a principio, parece boa, pois diminui o gasto com um ministério, há menos burocracia para determinados assuntos e tendo um ministro competente e com experiência tudo acontecerá conforme o script. Porém, na prática não é bem assim. Por que? vamos analisar.
O agronegócio representa ao Brasil quase 23% do PIB, número significativo e importante para a movimentação econômica do país. Os investimentos tem sido constantes e a participação no PIB tende a aumentar nos próximos anos, principalmente devido a procura internacional e a aproximação do Brasil com os Estados Unidos e a taxação dos EUA em relação aos produtos chineses.
Mas nem tudo no agronegócio são flores. Para o crescimento do agronegócio, necessita-se mais investimento em terras e o aumento das propriedades, tirando as terras dos pequenos agricultores e causando cada vez mais desemprego no campo. Ou seja, diferentemente do que acontece nos países mais desenvolvidos, no Brasil aumenta-se o latifúndio, diminui-se o minifúndio e nenhum governo mostrou-se capaz de fazer uma reforma agrária eficiente, onde você gera emprego aos trabalhadores do campo e aumenta os minifúndios policultores para subsistência. Nesse sentido, estamos indo para o lado contrário do desenvolvimento incentivando mais criação de latifúndios monocultores.
O mais assustador de tudo isso talvez seja o discurso do presidente eleito, onde ele ira "metralhar" essas pessoas que lutam por terras para morar e poder sobreviver.
Em relação ao meio ambiente, não é novidade para ninguém que o Brasil é um país que não respeita as leis, principalmente pela "bancada ruralista" na câmara dos deputados. O agronegócio invade cada vez mais para as áreas de vegetações, principalmente o Cerrado e a Floresta Amazônica, e não há uma punição para quem desmata ou invade essas áreas.Para se ter uma ideia, só no ano de 2017, a quantidade de área invadida para o aumento do agronegócio foi de 33 milhões de hectares, que é equivalente a metade do território francês. A explicação até o momento é bem simples:
o maior latifundiário do Brasil é o Sr. Blairo Maggi, Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do governo Michel Temer.
Quem um latifundiário iria proteger, o meio-ambiente ou os interesses econômicos?
Resumindo: Qual é o panorama na fusão desses ministérios proposto pelo novo governo?
Tem tudo para ser um verdadeiro desastre e um retrocesso para o meio-ambiente, para a população mais pobre do campo e para a governança ambiental. Quem irá ganhar com isso é somente quem possuí latifúndio e é dono de agroindústrias (No Brasil, atualmente, estamos sendo bombardeados por indústrias estrangeiras nesse ramos).
- A tendência é que se enfraqueça a governança e diminua a burocracia, mas também que se torne menos rígidas as leis ambientais, devido a excessiva necessidade de agradar o mercado externo a investir no Brasil;
- Têm países que investem dinheiro para a proteção das Florestas no Brasil. Com uma legislação mais flexível e uma fiscalização inexistente desde a entrada do Governo Temer, países já deixaram de dar dinheiro da a manutenção da Floresta Amazônica, como é o exemplo da Noruega que deixou de dar ao Brasil R$3,6 bilhões. Com o aumento da produtividade devido ao enfraquecimento das leis e da fiscalização, menos países investirão na proteção das nossas florestas.
- Os movimentos ambientalistas vão ter que se reorganizar e voltar décadas, quando faziam pressão de fora para dentro para não ter que perder terras, trabalhos, direitos. Os governos de Sarney, Itamar, FHC, Lula e Dilma vinham melhorando nesse aspecto, principalmente com a ajuda de Marina Silva, uma grande entendedora e inteligentíssima ambientalista.
O retrocesso nessa área é inegável!