O que é descrito abaixo é o retrato do conservador inglês da segunda metade dos anos 40, tal como revelado por uma pesquisa amostral realizada por Hans J. Eysenck mediante questionário aplicado individualmente a 250 conservadores, 250 liberais e 250 socialistas, todos eles de classe média, adultos, urbanos e brancos. Parte disso encontra-se no texto Ciladas da Diferença de Antonio Flávio Pierucci.
Será que há alguma semelhança com o conservadorismo brasileiro atual?
Os conservadores têm as seguintes convicções:
As pessoas não-brancas são inferiores.
A miscigenacão deve ser desencorajada.
As mulheres não são iguais aos homens em inteligência.
Todos os seres humanos não nascem com as mesmas potencialidades.
Não há razão para se instituir a igualdade salarial.
Só as pessoas com um determinado nível mínimo de inteligência e educação deveriam poder votar.
Pessoas com graves defeitos hereditários deveriam ser compulsoriamente esterilizadas.
As leis atualmente vigentes não favorecem os ricos.
A propriedade privada não pode ser abolida.
A estatização leva à ineficiência.
A guerra é inerente à natureza humana.
Vai haver uma outra guerra mundial dentro de vinte e cinco anos.
Mesmo que for no interesse da paz, não devemos ceder um dedo de nossa soberania nacional.
O patriotismo no mundo moderno não é uma força que trabalha contra a paz.
O tratamento que estamos dando aos criminosos não é rigoroso o bastante.
A pena de morte não é uma coisa de bárbaros.
Os crimes violentos deveriam ser punidos com o açoite.
Os japoneses são um povo cruel por natureza.
Os judeus não são tão respeitáveis, tão honestos e tão bons cidadãos quanto os outros grupos.
Somente com o retorno à religião pode a civilização ter esperança de sobreviver.
Não é uma conduta antiquada observar o preceito dominical.
As leis contra o aborto não devem ser abolidas.
As leis do divórcio não deveriam ser alteradas no sentido de torná-lo mais fácil.
Uniões conjugais consensuais não são desejáveis.
O controle da natalidade deveria ser declarado ilegal.
Não se deve proibir os experimentos científicos com animais vivos.
Os cientistas não deveriam se meter em política.
A liberdade irrestrita de discussão não é desejável.
Deveria haver menos polêmicas e discussões políticas no rádio e na TV.
Os objetores de consciência são traidores.
A educação religiosa deveria ser obrigatória
A educação sexual não deve ser dada a todos, meninos e meninas.
Não é errado que aos homens seja permitida maior liberdade sexual que às mulheres.
Nossas dificuldades presentes se devem antes a causas morais que econômicas.
A “vara de marmelo” é um bom princípio educativo